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A coordenação do Programa de Pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto convida para a banca de defesa de tese de Márcio Oliveira Souza da Silva.
Resumo do trabalho:
O presente trabalho investiga a interpretação do filósofo György Lukács acerca da modernidade, tendo como eixo central sua leitura crítica do trágico-épico Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe. A pesquisa aborda o problema ético fundamental da filosofia lukacsiana: a polaridade e a cisão entre o indivíduo moderno e a sociedade (ou gênero humano), agravadas pela divisão capitalista do trabalho e pelo individualismo da cultura burguesa. O texto traça o desenvolvimento do pensamento de Lukács desde sua juventude — marcada pelo diagnóstico do "desterro metafísico" e pela nostalgia da totalidade antiga — até sua maturidade de viés materialista-ontológico, na qual o filósofo busca uma "plenitude épica" fundamentada na consciência da genericidade e na formação da personalidade humanista. Para tensionar essa perspectiva teleológica e "perfectibilista", a tese mobiliza intérpretes contemporâneos como Michael Jaeger e Marshall Berman, além do conceito weberiano de "desencantamento do mundo". Através dessas lentes, evidencia-se o caráter ambivalente, niilista e patológico do progresso impulsionado pelo sujeito moderno, características imanentes à jornada fáustica. Por fim, a partir da análise da obra Goethe e seu Tempo e dos Estudos sobre Fausto, demonstra-se como Lukács se apropria da categoria da "Particularidade" (Besonderheit) para estruturar Fausto como o "drama da espécie humana". Conclui-se apontando que a síntese dialética proposta por Lukács impõe uma resolução utópica que frequentemente contrasta com a visão fragmentária, paradoxal e estética do próprio Goethe frente aos dilemas da modernidade.
